Entre o solo laterítico consolidado do bairro Cidade Nova e os aluviões arenosos da margem direita do Tocantins, na Folha 26, a resposta sísmica do terreno em Marabá muda radicalmente em poucos quilômetros. Um perfil VS30 que atinge 380 m/s na zona mais elevada pode cair para 210 m/s nas proximidades do Rio Itacaiúnas — diferença que impacta diretamente o coeficiente de amplificação sísmica e o dimensionamento de fundações. Por isso, a aquisição de ondas de cisalhamento com arranjo multicanal é o ponto de partida técnico para projetos que precisam de classificação NBR 15421:2017 sem margem para extrapolações. O ensaio CPT complementa a investigação em profundidade nos pontos onde a estratigrafia é muito variável, enquanto o microzoneamento sísmico amplia a análise para áreas de expansão urbana com risco geotécnico heterogêneo.
A velocidade de ondas de cisalhamento nos primeiros 30 metros define a categoria sísmica do solo — e em Marabá essa categoria pode variar entre C e D num raio de 500 metros.
Metodologia e escopo
Considerações locais
Um edifício de 8 pavimentos projetado para a Orla Sebastião Miranda, na margem do Tocantins, teve sua categoria sísmica reclassificada de C para D após a campanha MASW revelar um VS30 de 178 m/s nos primeiros 15 metros — valor incompatível com o perfil de sondagem que indicava areia compacta. O erro de classificação original teria subestimado o coeficiente sísmico horizontal em 35 %, com consequências diretas no custo da estrutura de contenção e no fator de segurança ao tombamento. A causa era uma lente de argila mole de 4 metros entre camadas de areia, invisível ao SPT, mas claramente identificada pela inversão da curva de dispersão. Em Marabá, onde a geologia transiciona entre rochas do Complexo Xingu e depósitos quaternários do Tocantins, confiar exclusivamente na correlação N60-Vs sem medição direta de ondas de cisalhamento é assumir um risco técnico que nenhum projetista geotécnico deveria aceitar.
Normas de referência
ABNT NBR 15421:2017 — Projeto de estruturas resistentes a sismos, ABNT NBR 6122:2019 — Projeto e execução de fundações, ABNT NBR 6484:2020 — Sondagens de simples reconhecimento com SPT, ABNT NBR 15892:2010 — Ensaio de cone (CPT)
Outros serviços relacionados
MASW para classificação VS30 (NBR 15421)
Arranjo padrão com 24 geofones e aquisição ativa. Perfil unidimensional de Vs até 30 m de profundidade. Relatório com curva de dispersão, perfil invertido e categoria sísmica do terreno conforme tabela 3 da NBR 15421:2017. Prazo de entrega: 5 dias úteis após campanha.
MASW ativo + passivo para perfil profundo
Integração de fonte ativa com registros de microtremores de longa duração por ponto. Alcança 40 a 60 m de profundidade — ideal para edifícios altos na Nova Marabá e obras de arte sobre o Tocantins. Inclui mapa de contorno de VS30 para o lote.
Análise de resposta sísmica local (GHE)
Modelagem da propagação de ondas SH no perfil de Vs obtido, com curvas de degradação de rigidez (G/G0) e amortecimento. Gera espectros de aceleração específicos do terreno, compatíveis com a NBR 15421 para análise modal espectral.
Parâmetros típicos
Dúvidas comuns
Qual o custo de um ensaio MASW em Marabá?
Uma campanha sísmica com classificação VS30 em Marabá tem valor entre R$4.370 e R$7.410, dependendo do número de pontos de medição e da profundidade de investigação. Campanhas com aquisição passiva integrada para perfis acima de 30 metros ficam na faixa superior, enquanto levantamentos com fonte ativa exclusiva tendem ao valor de entrada.
Quantos pontos MASW são necessários para classificar o terreno?
A NBR 15421:2017 exige no mínimo um ponto de medição de VS30 por lote ou unidade autônoma. Em terrenos com variação geológica acentuada — situação comum nos bairros que margeiam o Rio Itacaiúnas — recomendamos malha com três a cinco pontos para mapear a heterogeneidade lateral e evitar surpresas na etapa de projeto estrutural.
O ensaio MASW pode ser feito em qualquer época do ano em Marabá?
Tecnicamente sim, mas a qualidade dos registros é superior durante a estiagem (junho a outubro). No período chuvoso — de novembro a maio — o nível d'água elevado e a saturação do solo superficial atenuam as ondas Rayleigh, exigindo mais batidas por ponto e eventual aumento no tempo de aquisição. Agendamos as campanhas preferencialmente na janela seca para garantir a melhor relação sinal/ruído.
Qual a diferença entre MASW ativo e passivo?
O MASW ativo utiliza uma fonte controlada — marreta ou queda de peso — e alcança de 15 a 25 metros de profundidade com excelente resolução nas camadas rasas. O modo passivo registra microtremores ambientais (vento, tráfego, vibração industrial) durante 15 a 30 minutos por ponto e atinge de 40 a 60 metros. A combinação dos dois modos — que aplicamos em Marabá — extrai o melhor de cada técnica: resolução rasa do ativo e penetração profunda do passivo.
