Quem trafega da Nova Marabá para a Velha Marabá sente na prática como a resposta do solo muda em poucos quilômetros: de um lado, o cascalho laterítico bem drenado da zona mais elevada; do outro, os siltes aluviais da planície do Tocantins, que perdem resistência com as primeiras chuvas de novembro. Essa diferença de suporte entre os dois núcleos urbanos resume o desafio de projetar um pavimento flexível que dure na cidade. Em vez de uma solução de catálogo, nosso dimensionamento parte de ensaios de campo como o ensaio CPT para mapear a variabilidade do subleito em profundidade e da caracterização completa da jazida, incluindo o CBR viário nas condições críticas de umidade. O resultado é uma estrutura de camadas que trabalha a favor da geologia local, não contra ela.
Em Marabá, a chave do pavimento flexível está no controle da umidade do subleito laterítico: ele passa de excelente a medíocre em menos de 48 horas de chuva contínua.
Metodologia e escopo
Considerações locais
A ocupação de Marabá avançou sobre terraços fluviais do Tocantins e Itacaiúnas, áreas que sofreram aterros sucessivos ao longo de décadas sem controle geotécnico. O risco mais comum nos pavimentos dessas zonas não é o trincamento por fadiga, mas o afundamento plástico de trilha de roda, que aparece já no primeiro ano de operação e indica um subleito com CBR abaixo do mínimo de projeto. Outro ponto crítico é a heterogeneidade lateral: em um mesmo pátio industrial, encontramos bolsões de argila mole intercalados com crosta laterítica, e se a prospecção não tiver malha suficiente, a estrutura dimensionada para o melhor trecho falha no pior. Nosso projeto inclui um plano de investigação com malha fechada nos pontos de maior carga e recomendações de substituição de subleito onde as sondagens indicarem CBR inferior a 5%, antes de qualquer lançamento de base.
Normas de referência
ABNT NBR 7207:2021 - Terminologia e classificação de pavimentação; Projeto de pavimentos flexíveis, DNIT 031/2006 - ES - Pavimentos flexíveis: concreto asfáltico - especificação de serviço, DNER-PRO 11/79 - Avaliação estrutural de pavimentos flexíveis com Viga Benkelman, ABNT NBR 9895:2016 - Solo - Índice de Suporte Califórnia (CBR)
Outros serviços relacionados
Sondagens e ensaios de campo
Executamos sondagens SPT e ensaios CPT para definir a estratigrafia do subleito, além do CBR viário com coleta de amostras indeformadas.
Caracterização completa em laboratório
Realizamos granulometria, limites de Atterberg, compactação Proctor e Índice de Suporte Califórnia, incluindo o efeito da imersão.
Dimensionamento estrutural do pavimento
Elaboramos o memorial de cálculo com definição do número estrutural (SN), espessuras de camada, especificação da mistura asfáltica e quadro de deflexões admissíveis.
Controle tecnológico de execução
Acompanhamos a obra com ensaio de densidade in situ, controle de temperatura de usinagem e espalhamento, extração de corpos de prova e verificação de espessura.
Parâmetros típicos
Dúvidas comuns
Qual a diferença entre um pavimento flexível bem projetado e um mal dimensionado em Marabá?
O pavimento bem projetado considera a variabilidade do subleito laterítico da região e dimensiona camadas com espessura suficiente para proteger o solo da saturação sazonal. Já o mal dimensionado usa uma receita genérica e apresenta trilha de roda, trincas por fadiga e panelas nos primeiros 12 meses, especialmente nos acessos de mineração e pátios com tráfego pesado.
Quanto custa um projeto de pavimento flexível para um pátio industrial em Marabá?
O valor de um projeto de pavimento flexível em Marabá fica entre R$ 4.580 e R$ 12.730, dependendo da área do pátio, da malha de sondagens necessária e da complexidade do tráfego. Esse valor inclui a campanha de ensaios de campo, os ensaios laboratoriais de caracterização do subleito e dos materiais de base, e o memorial de cálculo com as espessuras finais de cada camada.
Que tipo de ligante asfáltico é mais indicado para o clima de Marabá?
Em nossa experiência, o CAP 50/70 convencional pode ser insuficiente em vias com alto volume de tráfego pesado sob temperatura elevada. Recomendamos avaliar o uso de CAP modificado por polímero (AMP 60/85) ou a seleção por faixa de desempenho PG, que oferece maior resistência à deformação permanente nos meses mais quentes, quando o asfalto atinge temperaturas superiores a 60 °C.
É possível aproveitar o solo laterítico local como camada de base do pavimento?
Sim, e é uma prática comum e eficiente em Marabá. O solo laterítico, quando bem selecionado e compactado na umidade ótima, pode atingir CBR superior a 20%, servindo como sub-base ou até base de pavimentos de baixo volume de tráfego. Nosso projeto avalia a jazida, executa ensaios de compactação e define a espessura necessária para que essa camada trabalhe dentro do regime elástico, sem deformar o revestimento.
